segunda-feira, 15 de junho de 2009

A Parada parada

Salve, galera! Segunda feira com um solzinho gostoso batendo na minha janela, perfeita para pegar a estrada e viajar, certo? Errado... meu carro continua na UTI, só tem alta amanhã. Mais uma vez, bem feito para mim, por deixar para arrumar o carro na véspera das minhas férias, achando que era apenas um defeitinho besta! Tomei no cu muito bem tomado! Enfim, fazer o quê, agora não adianta chorar, só me resta esperar até ele ficar pronto e decidir pra onde vou nessa porra de férias...

E ontem rolou a Parada. E, pasmem, me lembro de tudo, hehe! O trauma da Parada anterior me manteve apenas com quatro latas de cerveja, marca excelente! Mas não sei o quanto ter visto a Parada com um olhar mais sóbrio ajudou...


Sabe o que me irritou muito nessa parada, e que pode parecer engraçado falar? Os gays! Explicando... fui para a Parada de metrô, já prevendo o caos que estaria o trânsito próximo da Paulista. O metrô estava lotado, praticamente todos com o mesmo destino. E aquela festa nos vagões. Festa animada até demais! Sei lá o que acontece no dia da Parada, mas parece que a regra é soltar por completo qualquer amarra que você tenha, dar gritinhos, falar todas as gírias irritantes de drag, etc. Era assim que estava o metrô. Grupinhos a cada três metros vendo quem gritava mais alto ou dublava melhor a top drag do momento. É o tipo de comportamento que irritaria qualquer pessoa, e não falo isso por que era o pior estereótipo de gay que estava fazendo isso em público. Poderiam ser heteros indo para um jogo de futebol, amigos indo para alguma festa, não importa. Importa é que perderam por completo qualquer respeito por qualquer pessoa à sua volta!! Se agarravam, gritavam, pulavam um no colo do outro como se fossem trepar, xingavam, etc. Não sou santo, nem um pouco, mas sei que tem lugar e hora pra tudo. Se essa galera estava indo para a Parada em busca de respeito para os gays, deveriam primeiro aprender à respeitar os outros à sua volta, independente de opção sexual. Depois não sabem por que sofremos preconceitos... Como disse o Gay Alpha num dos seus últimos post, sou gay sim, mas com H, caralho!!

Bom, chego à Parada, quase uma da tarde, e vou para o ponto de encontro com meus amigos. Já haviam passado dois ou três trios até aquele momento, e assisti os outros até o final. Primeira coisa que reparei nessa Parada, o movimento. Achei bem mais vazia que as dos anos anteriores. Segunda coisa que chamou a atenção, os trios elétricos. Quase todos de associações, poucos de baladas. Cada trio mais sem graça, sem vida. Cadê o povo lá em cima pulando e se divertindo, fazendo a galera ferver na avenida enquanto os trios passavam? Faltou isso, com certeza!! Um dos únicos trios que passou e fez a galera levantar, dançar e cantar junto foi de uma associação que nem me lembro o nome, mas que na hora que passava por mim engatou YMCA com I will survive. Foi o único que fez o povo dançar animadamente! O resto passou como se fosse a coisa mais normal do mundo. Sem emoção, sem empolgamento. E não sei também se o povo estava com medo da multa da prefeitura por atrasos na Parada, só sei que eu estava à umas quatro quadras do final da Paulista, e todos os trios haviam passado até as 3 da tarde!! Passaram correndo, praticamente!

Vi o último trio passar, e como não despertaram um pingo de vontade de descer atrás, entrei no metrô e fui embora. Não vi nada do que rolou no centro, como a bomba e brigas. Posso até falar que onde eu fiquei na Paulista estava bem calmo e tranquilo, com vários policiais por ali, famílias, etc, tudo na mais santa paz!

Não sei se estou ficando velho, mas posso dizer que a Parada desse ano, em relação aos anteriores, foi exatamente isso: parada!

6 comentários:

Mariana disse...

Não acho que esteja ficando velho, acho que isso amadurecimento,eu nunca fui a uma parada, mas imagino que deva ser como certos tipos de festa que eu ia e fervia horrores e com o passar dos anos foi só se tornando mais uma festa...

;)

Edu e Mau disse...

Sinto a sua dor: tanto a do carro na UTI (agora é a bomba de gasolina -ugh!) quanto a do "tem lugar pra tudo". Ser humano, quando deixam, se comporta como animal mesmo...

Daniel disse...

eu estava no penúltimo trio e também achei essa parada corridíssima.

para ver a parada do chão, eu achei a consolação bem mais tranquila que a paulista, onde a muvuca e a elza reinavam absolutas.

Klero disse...

parece consenso...

Fabiano (LicoSp) disse...

Sexo em publico, suruba nos cantos, gente caindo de bebada...

E queremos pedir respeito da sociedade.

Fernando disse...

Puxa! Ainda bem que existem gays de bom senso... Obrigado pelo texto... faço das suas as minhas palavras. Pra mostrar que sou gay não preciso necessariamente que dar gritinhos, falar com voz afeminadas nem ter jeitos e trejeitos super manjado do mundinho gay. Odeio os esteriótipos, principalmente os dos gay, em que se você não se enquadra você fortemente discriminado.
Valeu,
Abraços