quarta-feira, 16 de março de 2011

O bonequinho feliz

Eles são uma praga. Invadiram as ruas, tomaram conta de tudo. Difícil você dirigir um quarteirão e não ver um colado na traseira do carro da frente. Falo dos adesivos da família feliz. Aqueles que você monta sua família, papai, mamãe, filhos e filhas, cão, gato, passarinho e tudo mais que tiver direito.

Tem para todos os gostos. Papai e mamãe executivos, surfista, moderninhos. De repente, parece que todo mundo resolveu exibir com orgulho sua família no trânsito paulista! Confesso que até pensei que seria bom estar namorando agora só para colar o adesivo de dois papais na traseira do meu! (sim, a desculpa para namorar é poder colar o adesivo, aham...).


 
Até que hoje de manhã, vindo pro trabalho, o carro da frente me chamou a atenção. Não tinha nenhuma família enorme com seus animais de estimação. Apenas um boneco, da mamãe.

Aquele bonequinho sorridente era quase uma afronta no meio de todas as famílias à sua volta. Parecia olhar para todos e dizer, "não preciso disso!". Era algo que passava uma sensação de confiança, independência. Em momento algum eu olhei pro bonequinho e pensei em algo como solidão, por exemplo. Não, o sorriso do boneco era tão grande que não podia significar nada que pudesse ser ruim, muito pelo contrário.

Assim que a fila ao lado abriu uma brecha, cai nela para emparelhar com o carro e ver a sua motorista. Uma loira muito bonita, na faixa dos seus 30 anos, estilosa, sorriso no rosto enquanto cantava acompanhando a música do rádio. Exatamente o que eu esperava da dona do bonequinho.

Continuei meu caminho com uma certa pontinha de inveja dela. "Sim, sou sozinha e não preciso de ninguém para ser feliz", foi essa a mensagem que me passou. Posso estar enganado, mas aquele bonequinho na traseira do carro dela não parecia querer companhia... pelo menos, não no momento!

Ainda vou atingir esse grau de evolução. Colar meu adesivo solitário no carro e falar que não quero um relacionamento, que a vida de putaria está boa e que quero chegar em casa sozinho, sem ninguém para me amolar depois. Não é bem o caso, mas a cada dia que passa venho tentando enfiar isso na cabeça. Um dia ainda vou acreditar que dá pra ser feliz sem um namorado pentelhando, apenas deixando minha marca em camas estranhas pela cidade...

Ainda chego lá...

9 comentários:

S.A.M disse...

Acho que esse senso se traduz mais como 'ser feliz consigo mesmo', não se trata de uma aversão a relacionamentos mas o encontro da felicidade em si mesmo.
É uma alegria especial porque ela independe do outro, vem de dentro e funciona como um motor que impulsiona a nossa vida.

Adorei o texto de hoje e acho que serei um dos primeiros a comentar hehe

Beijao!

Serginho Tavares disse...

melhor estes adesivos do que aqueles com o perfil da virgem maria e um terço...
ah! o meu último post me faz lembrar de você... passa lá depois pra rir!
beijos

Borboletas nos Olhos disse...

Eu prego uma adesivo desse na testa E ao mesmo tempo quero um relacionamento. Gosto de chegar em casa só, dançar na varanda, escolher um bom filme e ir ao cinema só. Gosto também de dormir agarradinha, ligar pra dizer eu te amo e viajar em dupla. Mas a segunda parte, só quando chegar alguém que valha a pena deixar a primeira no modo pause, né

Daniel disse...

Solidão é lava que cobre tudo...

Rafa disse...

Bom, SAM e Borboleta já disseram tudo! Agora entre namoros e camas estranhas há um meio termo que eu almejo atualmente: Fuck buddie. Um cara com ótima química sexual, que não seja uma fast foda mas que vc tb não precise ligar todo dia pra dizer o que comeu no almoço.

P.S. Essa mania do adesivos (que acho MEGA BREGA, não chegou ao Rio, Graças a deus!)

Sorte aí!

Lobo disse...

Não lembro onde vi um vídeo de um grupo de sabotadores de adesivos, que saiam colando ricardões, crianças extras e tudo mais nos carros alheios ahauahauahauahuahau

Rita disse...

Gente, esses adesivos são uma praga. Em Floripa só meu carro não tem. o/

Abração!
Rita

S.A.M disse...

O Lobo sempre consegue algo maligno, adoro! kkk

Mulher Asterísco disse...

para namorar, só se eu emburrecer de paixão. Porque não acredito mais, depois de tudo que já vivi, que trocar o eu pelo nós seja um bom negócio. Gostaria que um dia isso valesse a pena. Até lá ou até o fim dos meus dias, quero amizade com benefícios. Mas com alguém que pelo menos seja legal conversar.