Alguns anos atrás, passei pelo término de algo que nem havia começado. Para variar, seguira todos os passos da cartilha que já sei de cor e salteado: alguém chega, vai se infiltrando aos poucos, se diz apaixonado, começa a tirar os meus dois pés lá de trás, vai me conquistando. No exato momento em que eu solto meu freio de mão e entro de cabeça, a pessoa pula fora. Padrão repetido à exaustão, já decorado.
Bom, eu cheguei em casa arrasado. Subi direto pro meu quarto, deitei e tentava disfarçar a lágrima escorrendo e o soluço que não parava. Nisso, entra no meu quarto a Pinky, como sempre fazia, com a bolinha na boca, esperando que eu arremessasse a bolinha por meia hora e arregasse com dor no braço antes dela sequer começar a se cansar.
Nesse dia ela entrou, parou do lado da minha cama, colocou a bolinha no chão, se apoiou na beirada e me deu uma lambida no rosto. Ficou parada, olhando para mim, e deu mais algumas lambidas, esperando uma reação minha que não veio. Ela subiu na cama, eu estava encolhido, na famosa posição fetal. De alguma maneira, ela conseguiu entrar no meu nó e se deitou exatamente nos meio dos meus braços, e ficou ali, recebendo todo o carinho que eu poderia e queria dar por algumas horas. De vez em quando, virava a cabeça e me dava uma lambida, como se quisesse dizer, "calma, tudo vai dar certo"...
A Pinky morreu ano passado. Não podia contar com ela pra me consolar dessa vez. Bom, pelo menos era isso que eu imaginava...
Ontem de manhã minha irmã me ligou. Durante três dias ela e minha mãe viram um cãozinho próximo da escola onde minha mãe dá aula, abandonado numa esquina. Viram ela quase ser atropelada num dia, e no outro deitada encolhida num canto da calçada. Ontem, aquela cadelinha entrou na escola da minha mãe. Na hora em que o segurança estava enxotando ela para fora, minha mãe apareceu e reconheceu. Amor à primeira vista. Algumas horas depois, lá estava ela, Nina, na minha casa. Uma tarde no veterinário fazendo todos os exames e vacinas necessários e ela já estava liberada para brincar com as outras duas de casa.
Eu cheguei em casa da academia e fui direto conhecer a nova moradora. Peguei ela emprestada e desci pro meu quarto. Brinquei com ela, corri pela casa e etc. Até a hora em que eu deitei na cama. Ela tem um mês, pequenina ainda. Mas mesmo assim, pegou impulso e subiu junto. Em poucos segundos, já estava deitada nos meus braços. De vez em quando, uma lambida no meu rosto.
O que a Pinky fez alguns anos atrás me marcou muito. Foi um ato de puro amor e carinho no exato momento em que eu mais precisava, e não tinha tido coragem de pedir para amigo algum. Ontem, como que adivinhando o que estava acontecendo e o fato de eu ter me isolado e não buscado um ombro amigo pra chorar, a Nina fez a mesma coisa. Mais do que me dar carinho e mostrar que se importava comigo, ela fez uma coisa que com certeza me marcou também.
Ela conseguiu colocar um sorriso no meu rosto. E isso era tudo que eu precisava ontem.
Seja bem vinda...

13 comentários:
é um amor incondicional!
e ela é tão fofa... vontade de abraçar muito
Eita, tenho nem palavras! As vezes eles sabem o que nem quem está perto sabe.
Amam como amamos.
E nos amam sempre.
Chorei!!! Q post lindo!
Sei como eh esse amor... e jah senti isso, alias sinto sempre... eh bom d+! Esses peludos têm uma sensibilidade q a gente naum tem...
Parabens à vcs por adotarem a linda nina e dar um lar pra ela... atitude maravilhosa!
Bjoss, kerido... pra vc e pra Nina! :)
Lindo post, esse amor ão tem preço, sei que desejamos outros tipos de amor também, mas quem tem esse sabe o quanto é especial... tenho duas labradoras em casa que nos dias que não quero levantar da cama fazem isso também e me faz ter forças de seguir em frente. Abraços
Até chorei agora..
Algumas coisas acontecem na hora certa, pq precisam acontecer. E sem maiores explicações..
:hugs:
Grande Paulo, ela é muito linda! Parabéns. L.
É, pelo jeito o negócio é mudar o padrão... né?
Oi Paulo,
Cara só queria te dizer que te acho muito interessante e um tesão!! Não sei como tá sozinho a tanto tempo, ao menos regularmente sozinho...não fica pra baixo, viu, cara, só não me candidato porque não posso mesmo por ser comprometido (e também porque tenho HIV, embora totalmente assintomático e ainda nem precise tomar remédios). Mas olhe, só queria te dar essa força e te dizer que vc vai ficar bem. Vc precisa é mudar o foco, talvez o padrão de conquistas e de certo modo o padrão dos caras que habitualmente te interessam. Valeu, irmão! Abraço forte e um Beijo grande!
Ela é muito fofinha!
óó que cachorra linda rs
yuri...
Cachorros tem esse dom. Sou louco para ter um, mas enquanto não posso, vou me encantando com os cachorros alheios.
Beijo Paulo!
É um sentimento sem palavras demonstrado em atos...
de um a dois meses antes da doença de may começar a se desenvolver a gata dela ficou estranha aredia e rueira "gata de apartamento" que nunca tinha pisado na rua ate que um dia ela nao voltou...
e mamy se foi...
era como se a gata soubesse sei la...
bjs insanos da Insana
Por isso não entendo as cat persons. Nessa hora, cadê o bicho? Não se saber.
Cachorro é gente boa =D
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