Lembram quando a sua mãe contava aquelas histórias para vocês à noite, antes de dormir? Sempre terminando com o infalível “e viveram felizes para sempre”?
O problema é que elas não liam a frase final, que obrigatoriamente deveria estar em todas estas histórias: “AVISO: Isto é uma obra de ficção, que não reflete a realidade, qualquer semelhança é mera coincidência e muita sorte”...
Bom, acho que vou começar jogando um pouco de culpa na minha mãe, por me fazer uma criança feliz e mostrar que o mundo é belo e tudo acaba bem. Junte à isso vários filmes da sessão da tarde e praticamente todas as novelas em que o bem vence o mal no último capítulo e todos terminam felizes e pronto! Exceção, claro, à morte da mãe do Bambi, fato que até hoje martela no meu subconsciente...
Eu acreditei nisso. Sempre acreditei, como se fosse uma verdade universal. Mas não é, claro. Não há nenhuma força cármica por trás do universo que diga “aquele cara é bom, merece um final feliz” ou “que filho da puta, que o pneu dele fure na curva fechada e role o abismo”.
Vamos mudar um pouco o foco disso aqui...
Quem lê o blog há um bom tempo já me viu falando do meu demônio. Um antigo namorado meu, que ao sair da minha vida transformou ela num caos. A saída de cena dele me destruiu emocionalmente de uma tal maneira que afetou todos os outros aspectos. Eu não conseguia trabalhar, não conseguia estudar, não conseguia sair para uma balada, nada. Uma longa e duradoura depressão e apatia, e que acabou afetando todos os namorados que vieram na sequência. Se tornou difícil acreditar em qualquer coisa que me dissessem em relação à sentimentos, sempre com os dois pés atrás.
E aí, veio o meu último relacionamento. De cara, conseguiu desligar todas as minhas travas de segurança. Me entreguei àquele sorriso, àquele olhar. Eu podia sentir toda a sinceridade do mundo quando ele me olhava e dizia que gostava de mim, me amava. Se fechar os olhos, lembro perfeitamente do dia em que estávamos deitados na cama e ele olhou para mim e chorou, quando eu falei o que eu sentia por ele. Todas as mensagens e declarações trocadas por ambos, todos os “eu te amo” ditos nos últimos meses. E eu acreditei novamente. E me entreguei por completo. E claro, acabou de uma maneira bem diferente do que eu esperava.
Passei as últimas semanas pensando e pensando e pensando. E quando cheguei a uma conclusão, pensei mais um pouco.
Embora o último e o meu demônio não tivessem nada a ver física ou mentalmente, de estilos completamente diferentes, foram as únicas duas pessoas que eu posso falar que despertaram aqui dentro aquilo que eu sempre quis sentir por alguém. E também foram os únicos que conseguiram fazer tamanho estrago ao sair.
A semelhança de sentimentos era tanta que diversas vezes eu me peguei pensando “putz, preciso pegar o demônio no metrô pós academia... ops, demônio não, fulano!!!”. Vira e mexe eu me pegava chamando o último pelo nome do demônio dentro da minha cabeça, era algo quase que diário. Nunca troquei o nome dele pessoalmente, e não sei mesmo explicar por que trocava na minha cabeça, já que eles eram tão diferentes. Como falei, somente o sentimento era o mesmo, intenso...
E aí... tudo terminou. Coloquei contra a parede, joguei alto, me ferrei. Acho que se fosse qualquer outro cara, eu conseguiria ser o outro na boa, sendo o namorado não oficial. Mas não ele. Eu não consegui dividir com o namorado, exigi exclusividade. Pensando bem, acho que se fosse com qualquer outro, eu jamais teria sido o outro, para começo de história.
Como falei, os sentimentos foram iguais, e o pós também começou sendo. Comecei a entrar em depressão, apático à tudo. Somatizei vários sintomas nas últimas semanas, de febre e vômitos à uma quase crise bulímica. O último sintoma, três ou quatro dias mal conseguindo comer, já que tudo que eu colocava na boca me fazia correr pro banheiro, deu o alarme. O filme iria se repetir...
Bem, não vai se repetir. Acho que já passei por isso várias vezes por esse anos todos para saber como me proteger um pouco. À cada um que passa, acho que estou me tornando melhor nisso. Tomei minhas medidas por aqui, minhas precauções. Vamos ver o quanto elas serão fortes para me blindar.
Mas uma coisa eu posso falar com sinceridade absoluta dessa vez. Eu só queria descobrir uma maneira de blindar meu coração. Escudo à prova de balas, kevlar, vidro blindado, sei lá. Algo que não deixasse mais ninguém se aproximar dele, e nem deixasse que eu me apaixonasse de novo.
Se eu tivesse um ranking dos caras que eu mais amei (e dos que fizeram o maior estrago ao sair), o último entraria num honroso segundo lugar (sim, o estrago foi realmente grande, acreditem).
Eu não nasci para isso, começo a aceitar. Tenho inveja dos que conseguem sair de um relacionamento mensal para outro sem uma sequela sequer, tenho inveja dos casais perfeitos e cheios de amor. Eu não consigo, e não quero mais isso. Por que se eu não consigo me proteger de toda frase sincera, de todo sorriso e olhar cativante que jogam para mim, eu não tenho muito futuro nesse ramo.
Coração blindado, coração de pedra, coração de gelo, whatever. Se alguém souber algum jeito de deixa-lo assim, me avise. Acho que é tudo que eu quero nesse momento.
E não, nem todos vivem felizes para sempre...
E não, nem todos vivem felizes para sempre...
11 comentários:
A culpa é sempre da mãe.
O último Que Conseguiu me Desestruturar, hoje esta Gordo, Casado, com um filho e desempregadado e Eu nem Mandinga fiz pro Coitado..
Ai Eu penso.. E se ele estivesse comigo? Teria Eu de cuidar dele durante a recuperação do acidente? Segurar a barra de uma pessoa que é demitida por não se enquadrar mais nos requisitos da empresa? ou Melhor EU ENGRAVIDAR? rs
Hoje Penso, fdp só me fodeu, Mais não... Cresci, me fortaleci e Hoje... bom Hoje Confesso estar mais Sereno em meus relacionamentos...
Tudo nos serve de Fortalecimento...
E pode parecer bobagem, Mais ainda acredito em Príncipe Encantado Sim, Acredito porque EU quero Ser o Príncipe na vida de alguém ainda... Bjo
Beau de Blogsville,
São as águas de março que fecham o verão!
Bjs
não sei muito o que dizer mas parece que você deixou claro que o problema é (ou era) você
é isso?
não sei... acho que se fechar para o mundo é uma forma de se anular porque no fundo quem se fecha quer mais é se abrir então, realmente eu não sei
de qualquer forma... a culpa foi da sua mãe mesmo
kkkkkkkkkkkkkkkk
talvez seja a hora de edescobrir que você é a melhor compania pra você mesmo, viagens, leituras e etc, só vc e vc mesmo..
yuri reis facincani
Ao entrar num relacionamento sabendo que ele tem namorado, não havia muitas possibilidades: Ou ele largaria o cara, te largaria ou administraria os 2 enquanto pudesse. Não há porque se martirizar tanto. Você sabia do risco, e acho que o problema maior é ter perdido a parada. Perder é foda, mas daí tentar se convencer que relacionamento não é pra você, é um pouco demais. Eu estou apaixonado por um cara que está se descobrindo gay agora. Estou aprendendo a ter uma paciência de monge, mas estou consciente que ele pode querer voltar para a segurança do armário a qualquer momento, nem por isso estou desesperado pois é algo que sei que pode acontecer. Siga em frente, sem se culpar. Abraço, Marco.
Essa desculpa é muito da esfarrapada. Ninguém continua acreditando em contos de fadas depois da primeira que leva na cabeça, então assuma logo: você quis e sabia que podia dar errado. E quer saber? Esse é o grande lance - o tempero da vida. Fosse fácil, que graça teria?
Sacode logo a poeira.
Como essas histórias contadas a noite nunca vinham com o aviso de "baseados em fatos reais", eu nunca acreditei mesmo... hahaha
Pero, en serio, se o cara já tinha namorado, né? Altíssimas chances de dar merda...
Mas eu acredito também que felicidade não é para todo mundo.
How old are you? 11?
gato.. depois de algumas decepções, achei tbem que tinha amargurado o coração pra sempre.
até que aparece outro cara, e outro, e a gente percebe que se ele amargurou, 'desamargura' rapidinho.
keep going baby!
bjo
Acabei de chegar, caindo de paraquedas, gostando de tudo o que vejo por aqui, um singelo palpite, totalmente fora de esquadro, fora de embasamento, fora de órbita: você está procurando o amor através da paixão? É só uma pergunta, meio idiota, talvez, mas, há algum tempo atrás eu me fiz e cheguei à brilhante conclusão que o meio estava errado. Eu tinha o fim correto e o meio errado. Depois disso, me acalmei. Foi bem simples.
Gostei muito daqui, se você deixar eu vou continuar lendo.
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